
Muitas famílias brasileiras que vivem no Japão enfrentam desafios quando os filhos entram no sistema educacional japonês. Um dos temas que mais preocupa pais estrangeiros é o bullying escolar. No Japão, esse problema é conhecido como ijime, e pode acontecer de forma silenciosa, dificultando que pais e professores percebam rapidamente.
Entender o que é o ijime, como ele acontece e quais são os sinais de alerta é fundamental para proteger as crianças brasileiras que estudam no país. Neste artigo, vamos explicar de forma clara como o bullying funciona nas escolas japonesas e o que os pais podem fazer para ajudar seus filhos.
O que é ijime nas escolas japonesas
O termo ijime significa bullying ou intimidação. Nas escolas japonesas, ele geralmente acontece dentro do grupo de alunos, muitas vezes de forma indireta ou psicológica.
Diferente do bullying físico mais comum em alguns países, o ijime costuma aparecer através de comportamentos como:
- Ignorar completamente um colega
- Espalhar rumores ou comentários maldosos
- Excluir alguém das atividades do grupo
- Fazer piadas constantes sobre aparência, origem ou idioma
- Esconder objetos pessoais ou materiais escolares
Esse tipo de comportamento pode acontecer diariamente e, muitas vezes, longe da visão dos professores. Por isso, o problema pode durar muito tempo antes de ser identificado.
Por que crianças estrangeiras podem ser mais vulneráveis
Crianças brasileiras ou estrangeiras podem enfrentar dificuldades adicionais dentro da escola japonesa. Isso acontece principalmente por causa das diferenças culturais e linguísticas.
Alguns fatores que podem aumentar o risco incluem:
Diferença de idioma
Quando a criança ainda não domina completamente o japonês, pode ter dificuldade para se comunicar ou se defender. Isso pode fazer com que ela se sinta isolada.
Aparência ou origem
Crianças estrangeiras às vezes chamam atenção por terem aparência ou hábitos diferentes, o que pode gerar comentários ou exclusão.
Diferenças culturais
Costumes brasileiros, como falar mais alto ou ser mais expressivo, podem ser mal interpretados dentro de um ambiente escolar japonês, onde o comportamento costuma ser mais reservado.
Essas diferenças não significam que o problema acontecerá, mas mostram por que é importante que os pais estejam atentos.
Sinais de alerta para os pais

Muitas crianças que sofrem ijime têm dificuldade para contar o que está acontecendo. Algumas sentem vergonha, outras têm medo de piorar a situação.
Por isso, os pais devem observar sinais que podem indicar que algo não está bem.
Alguns sinais comuns são:
- A criança começa a evitar ir à escola
- Apresenta dores de cabeça ou de barriga frequentes
- Fica mais quieta ou triste em casa
- Notas escolares começam a cair
- Materiais escolares desaparecem com frequência
- Mudanças repentinas de comportamento
Se esses sinais aparecem de forma constante, pode ser importante conversar com calma com a criança para entender o que está acontecendo.
Como conversar com seu filho sobre bullying
Para muitas famílias brasileiras no Japão, a comunicação entre pais e filhos é a principal ferramenta de proteção.
Algumas atitudes podem ajudar:
Primeiro, crie um ambiente seguro para que a criança possa falar sem medo. Evite julgamentos ou reações muito fortes, pois isso pode fazer com que ela se feche.
Segundo, faça perguntas abertas, como:
- “Como foi seu dia na escola?”
- “Você brincou com seus colegas hoje?”
- “Tem alguém que te incomoda na sala?”
Essas perguntas simples podem ajudar a criança a compartilhar experiências que, de outra forma, ela poderia esconder.

O papel da escola japonesa
As escolas no Japão levam o problema do ijime muito a sério. Nos últimos anos, o governo japonês criou políticas específicas para prevenir e combater o bullying.
Professores e diretores são incentivados a investigar qualquer suspeita e tomar medidas para proteger os alunos.
Se um pai suspeita que o filho esteja sofrendo bullying, o caminho mais comum é:
- Conversar primeiro com o professor responsável pela turma (担任の先生 – tannin no sensei)
- Se necessário, falar com a coordenação ou direção da escola
- Pedir acompanhamento ou intervenção escolar
A comunicação com a escola é extremamente importante, pois muitas situações podem ser resolvidas quando o problema é identificado cedo.
O que os pais brasileiros podem fazer para ajudar
Além do diálogo com a escola, existem atitudes que podem fortalecer emocionalmente a criança.
Incentivar a confiança
Mostre ao seu filho que ele pode falar com você sobre qualquer problema. Crianças que se sentem apoiadas pelos pais lidam melhor com situações difíceis.
Manter a identidade cultural
Ensinar português, cultura brasileira e manter contato com outros brasileiros pode ajudar a criança a desenvolver autoestima e senso de pertencimento.
Participar da vida escolar
Sempre que possível, participe de reuniões escolares, eventos da escola e comunicação com professores. Isso demonstra envolvimento e pode facilitar o acompanhamento do desenvolvimento da criança.
Quando procurar ajuda externa

Em alguns casos, o bullying pode causar impactos emocionais mais sérios, como ansiedade ou depressão. Quando a criança apresenta sofrimento intenso ou mudanças comportamentais fortes, pode ser importante buscar ajuda profissional.
No Japão, algumas opções incluem:
- Conselheiros escolares
- Psicólogos infantis
- Centros de apoio familiar da prefeitura
Esses serviços podem ajudar tanto a criança quanto os pais a lidar com a situação.
Conclusão
Criar filhos no Japão traz muitas oportunidades, mas também alguns desafios para famílias brasileiras. Entender como funciona o ijime é um passo importante para proteger as crianças dentro do ambiente escolar.
Quando os pais estão atentos, conversam com os filhos e mantêm diálogo com a escola, é possível identificar problemas cedo e agir rapidamente. Assim, as crianças podem crescer com mais segurança, confiança e bem-estar mesmo vivendo em um país diferente.




